terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Thomaz Lourenço da Cruz, lá do Quimporó




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG
Do amigo Eliton Medeiros recebo um e-mail sobre um dos meus tetravós: Tudo bem? Então, lendo suas coisas sobre os descendentes de Thomaz de Araújo Pereira, de Florânia, lembrei que há algum tempo um amigo meu me passou umas folhas do inventário dele (Thomaz Lourenço) de 1849, que tem a lista de herdeiros que servirá para suprir as suas dúvidas da relação de filhos. O pessoal de Thomaz Lourenço, os Lourenços como são conhecidos, mora até hoje em Nova Palmeira-PB. Pessoalmente, conheço muitos membros dessa família que tem a pele rosada avermelhada, estatura elevada e muito louros. As casas velhas deles ainda se encontram de pé há alguma distância de Nova Palmeira, na "Data da Corujinha", numa região do município que faz fronteira com Carnaúba dos Dantas. Deve ser uns 8 km da cidade e são verdadeiras fortalezas pelas suas paredes, tamanho e altura. Espero ter contribuído um pouco para as suas pesquisas.
Das folhas enviadas por Eliton, extraí as seguintes informações: No dia 10 de julho de mil oitocentos e quarenta e nove, na casa de residência do Juiz Municipal, e de Órfãos, da Vila de Acari, Gregório José Dantas, compareceu D. Maria Rosa do Nascimento, viúva que ficou por falecimento do seu marido Thomaz Lourenço da Cruz. Disse a viúva que seu marido faleceu no dia 25 de maio daquele ano corrente, sem deixar testamento.
No título de herdeiros, além de Maria Rosa do Nascimento, foram listados 13 filhos. Vamos apresentá-los, complementando com outras informações obtidas em outras fontes.
Thereza Maria José, que casou com Manoel Ignácio de Lima, na Fazenda Quimporó, aos 11 de fevereiro de 1836, sendo ele filho de Francisco dos Santos Lima e de Maria Joaquina de Vasconcelos, na presença das testemunhas Alexandre de Araújo Pereira, solteiro e Luiz do Rego Brito, casado.
Ana Gertrudes de Santa Rita, que casou com André de Araújo Pereira, no mesmo local e data acima, e filho do mesmo casal acima, sendo testemunhas José Garcia do Amaral e Alexandre Batista dos Santos.
Thomas Lourenço de Araújo, que casou, na Fazenda Quimporó, aos 15 de setembro de 1840, com Francisca Maria da Conceição, na presença das testemunhas André de Araujo Pereira e Luiz do Rego Brito.
Maria José do Nascimento, que casou no Sítio Quimporó, aos 20 de julho de 1847, com Thomas Alves de Araújo, filho de Beraldo de Araújo Pereira e de Joana Batista do Santos, na presença de Fidélis de Araújo Pereira e Simplício Dantas de Medeiros.
Isabel Maria da Encarnação casada com Miguel Arcanjo do Rego.
Francisca Ermina (ou Hermínia) de Jesus, que casou no Sítio Quimporó, aos 20 de julho de 1847, com Alexandre Manoel de Medeiros, filho de Silvestre Garcia do Amaral e de Ana Vitorina dos Santos, na presença das testemunhas Antonio Garcia do Amaral e José Pereira da Costa.
Ignácio Rodrigues da Cruz, que casou, primeiramente, no Sítio Garota, aos 22 de setembro de 1843, com Isabel Francisca, viúva de José Pereira Bolcont, na presença das testemunhas Thomaz de Araújo Pereira Junior e Manoel Lopes Pequeno Junior; casou, pela segunda vez, aos 24 de agosto de 1854, na Fazenda Passagem, com Maria Alexandrina de Vasconcelos, viúva de Joaquim Garcia dos Santos, e filha de Alexandre Garcia do Amaral e de Maria Angélica do Rosário, na presença das testemunhas Alexandre Garcia do Amaral Junior e Manoel Rodrigues da Cruz.
Guilhermina Maria da Conceição, que casou aos 20 de julho de 1847, no Sítio Quimporó, com Silvestre José Dantas, filho de João Damasceno Pereira e de Angélica Maria do Amaral, na presença doas testemunhas André Corsino de Medeiros e Alexandre Pereira de Araújo.
Joaquim Theodoro da Cruz, que casou aos 28 de novembro de 1848, com Rita Joaquina de Medeiros, filha de Alexandre Garcia do Amaral e de Maria Angélica do Rosário; foram os pais do tenente Laurentino Theodoro da Cruz.
Manoel Rodrigues da Cruz, 21 anos, meu trisavô; Casou primeiramente, aos 24 de novembro de 1853, na Fazenda Passagem, com Inácia Maria da Conceição, minha trisavó, filha de Alexandre Garcia do Amaral e de Maria Angélica do Rosário, na presença das testemunhas Alexandre Garcia do Amaral Junior e José Paulino Dantas; casou, pela segunda vez, aos 21 de maio de 1859, com Antonia Francisca da Conceição, filha de Luiz José Machado e de Ana Francisca de Melo, na presença das testemunhas Joaquim Thedoro da Cruz e Manoel Correia Barbosa; casou pela terceira vez com Umbelina Olindina Bezerra Cavalcante.
Vicência, com 16 anos, mas sem nenhuma outra informação.
Alexandre Olegário da Cruz, com 13 anos, que casou aos 02 de maio de 1863, com Josefa Maria de Jesus, filha de Rodrigo José de Medeiros Junior e de Francisca Maria de Medeiros.
Pacífico Rodrigues da Cruz, com onze anos, que casou com Anna Senhorinha de Medeiros, filha de Manoel Bruno de Medeiros e de Maria Rosa de Jesus.
Lembramos que Alexandre Garcia do Amaral e Maria Angélica do Rosário eram os pais de João Porfírio do Amaral, conhecido como o “mata e queima”.
Tia Cirene Avelino e Sérvulo Teodoro da Cruz, descendentes.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Flores, as tragédias de Zé Leão e João Porfírio




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Desde pequeno que a expressão “mata e queima” povoa a minha mente, sem que eu tivesse maiores detalhes do que ocorreu no passado, na minha família. Ademais, fatos ocorridos, em anos mais distantes, vão se tornando lendas com todos os acréscimos e variações que a mente é capaz de produzir.
Encontro, agora, em velhos jornais, o fio da meada. No “Jornal da Tarde”, de 9 de maio de 1877, havia um elogio a ação do Chefe de Polícia, Ernesto Chaves, exemplificado pela proposição da demissão de João Porfírio do Amaral, subdelegado do distrito de Flores, termo de Acari, em virtude dessa autoridade está envolvida no assassinato de José de Souza Leão, aos 5 de janeiro do ano de 1877. Segundo o jornal, João Porfírio foi pronunciado no art. 192 do código penal, como mandante, e Francisco Nunes da Silva e Antonio da Costa como mandatários.
Nos jornais do Rio de Janeiro, daquele ano, consta, nas informações sobre José Leão, que esse indivíduo nutria indisposição com pessoas da família Toscano ali residente, por causa de uma questão de terras.
É fato que João Porfírio foi casado na família Toscano, como podemos ver do registro a seguir: Aos quatro de fevereiro de 1862, pelas oito horas da manhã no Sítio Quixodé, desta Freguesia de Acari, uni em matrimônio, e dei as bênçãos nupciais servatis servandis, sem impedimento algum, obtendo dispensa de parentesco, meus paroquianos João Porfírio do Amaral, e Maria Joaquina de Jesus, filhos legítimos, ele de Alexandre Garcia do Amaral e Maria Angélica do Rosário, e ela de Joaquim Toscano de Medeiros, e Antonia Alexandrina de Jesus; foram testemunhas Joaquim Thomaz de Aquino e Joaquim Urbano de Araújo. Vigário Thomaz Pereira de Araújo.
Posteriormente, encontro, no jornal “Gazeta do Natal”, de 16 de fevereiro de 1889, uma notícia relacionada a João Porfírio, que transcrevo para cá.
No distrito de Flores, termo da Vila de Acari, na noite de 31 de janeiro para amanhecer do dia 1º do corrente, após o estampido de forte descarga elétrica, por entre os clarões dos relâmpagos, caiu um raio sobre a casa de um tal João Porfírio, ali morador, matando instantaneamente as duas filhas deste, já moças.
Esta lamentável ocorrência nos foi transmitida em carta de 4 de abril deste mês, na qual  se nos faz as seguintes reflexões:
Realmente, a morte das duas moças, filha de João Porfírio, fulminadas por uma chama elétrica no meio de uma trovoada animadora, com prenuncio de um bom inverno, tem produzido sérias cogitações no espírito daqueles que acreditam no “castigo dos pais até a sétima geração”.
João Porfírio assassinou José Leão cujo corpo ele, com outros corréus, lançou às chamas de uma fogueira quando ainda estava vivo.
Esse fato assustador, medonho e de descomunal ferocidade, fez espécie em toda província e acha-se registrada nos relatórios e importantes peças oficiais desde o tempo do ex-presidente Satyro Dias.
João Porfírio e seus comparsas foram processados naquele tempo, mas hoje se acham livres de pena e culpa pela escandalosa proteção que lhes foi dispensada no Tribunal de Júri do Acari, figurando como protagonista de todo este cortejo de mais revoltante moralidade o protetor ostensivo dos réus denominados queima gente, o coronel José Bezerra compadre e intimo de João Porfírio!
O Dr. Juiz de Direito, Francisco Clementino Chaves, sabe bem dessa história, e o promotor interino, o deputado Santa Rosa (Cipriano), escolhido a dedo para o gloriosos triunfo de seu irmão José Bezerra (da Aba da Serra), também pode referi-lo com a isenção e pureza do seu caráter.
Passaram-se os tempos, a impunidade foi exultada pelos “homens sérios” desta terra, até que agora, diz o povo, aparece o castigo do céu sobre inocentes criaturas que pagaram com usura as culpas de ferozes assassinos, altamente protegidos. A notícia do jornal “Gazeta do Natal” termina com a frase: São insondáveis os decretos de Deus.
Três irmãs de João Porfírio foram casadas com três filhos de meus tetravós, Thomaz Lourenço da Cruz e de Maria Rosa do Nascimento: Maria Alexandrina de Jesus (2º casamento) com Ignácio Rodrigues da Cruz (2º casamento), gerando minha bisavó, Rita Maria da Conceição; Ritta Joaquina de Medeiros com Joaquim Theodoro da Cruz, gerando o tenente Laurentino Theodoro da Cruz, que dá nome a um município do Rio Grande do Norte; e Ignácia Maria da Conceição com Manoel Rodrigues da Cruz, gerando meu bisavô Alexandre Garcia da Cruz. Um filho dos meus bisavós, Alexandre e Ritta, listados acima, casou com uma neta de João Porfírio, como podemos ver do registro a seguir.
Aos dez dias do mês de outubro de 1923, no Sítio Trapiá, desta Freguesia, depois das denunciações canônicas, e sem aparecer impedimento algum, nas presenças das testemunhas Thomaz Garcia da Cruz, e João Porfírio Netto, assisti ao recebimento matrimonial de meus paroquianos Celso Mariano da Cruz, com Corina Clotildes do Amaral, filhos legítimos, ele de Alexandre Garcia da Cruz e Ritta Maria da Conceição, e ela de João Porfírio do Amaral (Filho)), já falecido, e Maria Purificação da Senhora: os nubentes foram dispensados do impedimento do 3º grau igual e simples de consanguinidade; o nubente é natural desta Freguesia, e a nubente é natural de Flores, e ambos residentes nesta Freguesia. O vigário Ulisses Maranhão.
Zé Leão virou símbolo de adoração, e até ganhou uma capela em Florânia. Até a data do seu passamento foi alterada. Nos vários artigos que encontramos na internet, é dado seu assassinato, como se fosse 20 de janeiro, dia de São Sebastião.
P. S.
Hoje, dia 10 de agosto de 2019, encontrei os registros das crianças que foram fulminadas pelo raio. Eram Rita, de 13 anos, e Teresa, de 14 anos. Como são idênticos, publico somente o de Teresa.

Aos 28 dias do mês de fevereiro do ano de 1889, neste primeiro Distrito de Paz  da Paróquia de Nossa Senhora da Guia, Município de Acari, Povoado do Rio Grande do Norte, compareceu em meu cartório João Toscano de Medeiros, sendo me apresentado a certidão, passada pelo escrivão do Terceiro Distrito de Flores, dele extraí a declaração que abaixo transcrevo - Aos 31 do mês de janeiro do dito ano, no Povoado de Flores, deste Termo, faleceu Rita, fulminada de um raio, na idade de 13 anos, filha legítima de João Porfírio do Amaral e de Maria Joaquina de Jesus. e no mesmo dia 31 de janeiro foi sepultada no Cemitério da Capela da Povoação. Do que para constar  lavrei este termo que assino com o declarante. Eu Francisco Antônio Cordeiro Ferreira Lima , escrivão de Paz o escrevi.
Capela de Zé Leão

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Cândida da Natividade e Maria Christina




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG
Recebi, por e-mail, um pedido do Dr. Geraldo Pereira, nos seguintes termos: meu caro João Felipe da Trindade, encontrei a sua bem organizada página na Internet, tratando de história e genealogia.  

Eu estou procurando um detalhe de meu bisavô, Vicente Ignácio Pereira, que foi médico no Ceará-Mirim; detalhe que francamente não tenho obtido sucesso em minhas buscas, navegando por blogs e ligando para amigos no RN. Sou filho de Nilo Pereira, historiador e escritor, nascido no verde vale do Ceará-Mirim. Vejo que você é meu colega duplo, porque professor como eu - aposentado da UFPE - e membro do Instituto Histórico. Eu encontrei por aqui no Recife, um trabalho de meu bisavô sobre cólera e sendo eu médico, como ele, achei por bem escrever sobre a publicação, aliás, com algumas antecipações dele. 

O claro em meu ensaio, que deve ser apresentado na Academia Pernambucana de Medicina e publicado na Revista do IAHGP, é o da doença de uma das filhas de Vicente, falecida aos 15 anos de idade e que fez o pai jurar, diante do esquife, que deixaria a medicina, como aconteceu. Não sei de que doença essa moça morreu e quando foi isso. Na sua página não existe nada sobre isso, mas pode ser que me ajude. Eu tinha por aqui o livro de Cascudo sobre o RN, mas não há jeito de encontrar. Pode ser que exista alguma referência sobre isso, pois o meu bisavô foi Vice-Presidente da Província e assumiu a Presidência por pouco tempo.

Com as informações passadas pelo Dr. Geraldo, fui vasculhar livros de óbitos de Ceará-Mirim, mas não encontrei nada. Mas, pela importância que teve na nossa Província, Dr. Vicente Ignácio, fui procurar nos velhos jornais, digitalizados pela Hemeroteca Nacional, alguma indicação sobre a filha falecida. No Correio do Natal, de 16 de novembro de 1878, cujo redator era João Carlos Wanderley, encontrei uma informação que transcrevo, em parte, para este artigo, a seguir.
Ela foi receber no céu a recompensa que o Altíssimo lhe tinha destinado, como galardão de suas reconhecidas virtudes.

Ao gélido sopro da morte, crestou-se para sempre uma das mais belas e esperançosas flores de Ceará-Mirim!

Como uma rosa que emurchece, ou como uma estrela que de súbito se oculta no ocaso, assim finou sua precoce existência, no infausto dia 8 corrente, pelas 5 horas da manhã, no Engenho Guaporé, do município de Ceará-Mirim, a Exma. Sra. D. Maria Christina Varella Pereira, muito digna e virtuosa filha do nosso prestimoso amigo o Sr. Dr. Vicente Ignácio Pereira.

Tais eram os predicados da ilustre finada, e tais os dotes que a recomendavam, que vacilamos em descrevê-los!

Na idade de 13 para 14 anos, quando se sentia estremecida e cercada dos afetos e carícias de seus pais, irmãos e parentes, uma hemorragia nasal veio roubar-lhe prematuramente a preciosa existência, e separá-la do mundo terreno para ir  na pátria celestial receber das mãos do Altíssimo a recompensa destinada à suas preclaras e reconhecidas virtudes.

Sim, a negra mão da morte não quis que aquela que tinha tantos e tão invejáveis predicados naturais, herança de seus dignos progenitores, permanecesse por mais tempo na terra!

Conhecendo de perto a mágoa que eflige neste momento o coração de seus pais, irmãos e parentes, causada por aquele infausto passamento, o qual veio sem dúvida abrir no seio da família da ilustre donzela uma lacuna impreenchível, e como prova de amizade e estima que lhe consagramos, viemos também por este meio na gélida porta do seu túmulo, no cemitério do Engenho  São Francisco, onde foi dado seu corpo à sepultura pelas 5 horas da tarde do mesmo dia, um ramo de roxas saudades, suplicando ao Altíssimo coloque sua alma na mansão dos anjos.

Foi o link dessa página do Correio do Natal, que passei para Dr. Geraldo, acreditando ser essa informação o detalhe que ele tanto procurava para completar o claro no seu trabalho.

Feita a apresentação, descobri, posteriormente, um registro de óbito na Freguesia de São José de Angicos, que me surpreendeu, pois a mesma doença levou a óbito, outra filha do Dr. Vicente Ignácio Pereira e de sua esposa, filha do barão de Ceará-Mirim.

Aos 13 de maio de 1885, faleceu Cândida da Natividade Varella Pereira, filha legítima do Dr. Vicente Ignácio Pereira e Izabel Augusta Varella Pereira, da Freguesia de Ceará-Mirim, livre, solteira, e brasileira, com 15 anos de idade, sem profissão, sendo a causa morte hemorragia nasal, e o lugar do óbito, no domicilio; o seu cadáver, por mim encomendado, foi sepultado no Cemitério Público desta Vila, em catacumba, no dia 14 do dito mês, e ano; do que mandei fazer este termo em que assino. O Vigário Felis Alves de Souza.

O Barão de Ceará-Mirim tinha uma fazenda em Angicos, denominada Santa Luzia. É possível que Cândida tenha ido para lá a fim de se tratar da sua doença, pois, para Angicos foram várias pessoas cuidar da saúde. Talvez, essa segunda morte na família é que tenha levado Dr. Vicente a decidir por abandonar a medicina.

Continuo conversando, via e-mail, com Dr. Geraldo Pereira, que ultimamente me passou mais a seguinte informação: Um fato, porém, importante é a frequente alusão em casa, por parte dele (Nilo Pereira), ao fato de ser descendente de uma família na qual havia uma doença hematológica, que ele, meu pai, dizia que era hemofilia, mas não era. Talvez isso justificasse os dois óbitos! É que falei com uma hematologista lá do Recife, por duas vezes, obtendo dela a informação de que pode ter sido uma discrasia sanguínea, seja de cunho celular propriamente, isto é, em termos de doença das plaquetas ou da coagulação mesmo.
Cândida da Natividade




terça-feira, 2 de dezembro de 2014

João Evangelista da Costa, lá em Mangue Seco




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Angicos e Macau estiveram, durante algum tempo, ligados, umbilicalmente. Cada um pertenceu a Freguesia do outro, em algum momento. Vários angicanos tiveram interesses na região salineira. Frei Aníbal de Genova, por volta de 1762, viajou pelo interior do Rio Grande do Norte e, quando saiu de Caiçara, seguiu para Mangue Seco (era neste distrito que residiam, antigamente, Francisco Xavier Torres e sua esposa Maria Gomes da Silva, doadores das terras para a construção da Capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré), terra deserta e arenosa do litoral atlântico, onde viviam algumas famílias de criadores, onde a água era de mau paladar e semi-salgada. Passou quatorze dias lá, onde confessou 834 comungantes, ficando edificado com a piedade desses pobres moradores.

Foi nesse Sítio de Mangue Seco que casou o angicano João Evangelista da Costa, irmão do meu tetravô, o tenente-coronel, Antonio Francisco Bezerra da Costa, e de Vicente Ferreira Barbosa. Vejamos o registro.

Aos dezessete dias de novembro de mil oitocentos e vinte e nove no Sítio Mangue Seco desta Freguesia de Santa Anna do Mattos, depois de obtida a dispensa do impedimento do terceiro grau de sanguinidade atingente ao segundo, e tendo precedido as canônicas denunciações sem impedimento, o Reverendo José Berardo de Carvalho, de minha licença, ajuntou em matrimônio, e deu as bênçãos nupciais aos meus paroquianos João Evangelista da Costa, e Anna Ferreira de Moraes, naturais e moradores nesta Freguesia: ele, filho legítimo de Antonio Barbosa da Costa, já falecido, e Claudiana Francisca Beserra; ela, filha legítima de Antonio Ferreira de Moraes, e Antonia Theresa (de Jesus), sendo testemunhas João Manoel da Costa, Francisco Chavier de Sousa, e José Alexandre da Costa, que com o dito Reverendo assinaram o assento, que me foi remetido, pelo qual fiz o presente, que assino. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva.

Anna Ferreira de Moraes era irmã de Claudiana Evarista Ferreira de Moraes, 3ª esposa de Vicente Ferreira Barbosa, irmão de João Evangelista. João Manoel da Costa (e Mello), meu tio-trisavô, era primo legítimo do noivo. E José Alexandre (Solino) da Costa, era outro irmão do noivo.

Entre os filhos de João Evangelista da Costa e de sua esposa Anna Ferreira de Moraes, encontramos os registros de casamento de alguns, que, em sua maioria, casaram com parentes.

Na Matriz de São José de Angicos: Maria Joaquina Evangelista da Costa casou, com dispensa de consanguinidade e afinidade lícita, em 1 de novembro de 1862, com Gonçalo Maciel de Abreu, viúvo de Josefa Clara da Costa,  e filho de Gonçalo Maciel de Abreu e Maria da Conceição, finada; Maria Ferreira Evangelista da Costa casou, em 1 de setembro de 1879, com José Gomes da Silva, filho de Bernardo Gomes da Silva e Valéria Libânia  da Silva Xavier; Agostinha Monteiro Maria de Souza casou, com dispensa de consanguinidade, aos 25 de setembro de 1872, com Antonio Thomaz de Aquino de Souza, filho de Luiz Pinheiro Nunes de Souza, falecido, e Marianna Clementina Nunes de Souza.

No Sítio Curral dos Padres: Manoel Evangelista da Costa casou, com dispensa de consanguinidade, em 8 de janeiro de 1868,  com Maria Francisca da Conceição, filha de Paulo Gomes de Mello e Margarida Maria da Conceição; Júlia Evangelista da Costa casou, com dispensa de consanguinidade,  em 2 de dezembro de 1865,  com José Bezerra Xavier da Costa, filho de Antonio Francisco Bezerra da Costa e Vicência Ferreira da Costa.

No Sítio Lages: José Evangelista da Costa casou, com dispensa de consanguinidade, em 7 de janeiro de 1866, com Maria Francisca Xavier, filha Ignácio Pereira de Abreu e Joanna Francisca da Trindade.

No Sítio Angico Caído, da Freguesia de Macau: Felipe Brasiliano da Costa casou, em 30 de novembro de 1866, com Maria Joaquina da Conceição, filha de Vicente Aires de Sousa Monteiro e Joaquina Maria da Conceição.

No Sítio Carapebas: Maria Martins Ferreira casou, com dispensa de consanguinidade, em 7 de janeiro de 1859, com João Inocêncio Xavier de Sousa, filho de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca da Costa.

Dona Anna Ferreira de Moraes faleceu aos 2 de dezembro de 1883, de reumatismo, com a idade de 75 anos. Deve ter nascido por volta de 1808. Um dos pais de Anna Ferreira de Morais era primo legítimo de João Evangelista da Costa. Não consegui descobrir qual deles, se Antonio Ferreira de Moraes ou Antonia Thereza de Jesus.
Casamento de João Evangelista e Anna Ferreira