quinta-feira, 25 de junho de 2015

Esboço biográfico do Barão de Ipojuca




Esboço biográfico do Barão de Ipojuca
Je me viens pas pleurer sur sa cendre; Il me faut pleurer que sur celle des méchants: car ils ont fait le mal, et peuvent plus le reparer. M. Thomas (Elog. De Marco A.)
A morte de um homem notável por serviços e qualidades assinala a época de um grande infortúnio para a geração que o perde. O finamento de uma existência que avultou nas lides políticas de seu tempo, que adquiriu o direito de cidade pela importância do papel que lhe coube representar na área em que floriu é um fato que não deve passar indiferente aos olhos da sociedade contemporânea.
“No meio de lutas microscópicas, das transações interesseiras, das cóleras artificiais, dos antagonismos pigmeus, das ciladas e ardis, das rivalidades e egoísmos, das argúcias e futilidades”, seria requintar o quadro de nossas misérias sociais o olharmos com indiferença para a lápida que cobre as cinzas de um cidadão benemérito, a quem a pátria deveu sacrifícios, os princípios, dedicação, os amigos, lealdade, a lei os cultos do respeito. Valeria tanto como desdenhar a poética religião dos espíritos, grave e saudosa como a do túmulo, piedosa e grata como a do berço. O elogio dos finados é a apologia da civilização, da moralidade de um povo; é a voz de natureza que se exalta na crença do seu destino mortal.
O sepulcro acaba de engolir o invólucro caduco de um grande espírito, de um lidador infatigável, à um soldado destemido da pátria. O barão de Ipojuca, outrora João do Rego Barros, já não vive; cedeu por fim aos direitos da morte! Lutou; mas nesse lutar, sublime de resignação cristã; provou quanto valia a rigidez de seu ânimo! o combate ardeu em campo desigual; a sua luta era com o destino: devia sucumbir!
Apreciar as feições deste grande caráter; designar-lhe os dotes que o enobreceram, as qualidades que o recomendaram à estima pública, é  empenho nimiamente delicado. Ele viveu até ontem. Se numerosas afeições o circundavam, e diziam nele um tipo completo de virtudes cívicas; do outro lado, ódios pequenos, emulações obscuras, calunias, anônimas, que são o limbo expiador das vocações enérgicas, dos méritos superiores, e incompreensíveis à turba dos maldizentes, não raro procuram desbotar-lhe os matizes que realçavam a teia de suas ações.
Mas, em honra de seus êmulos, entre os quais os houve leais e cavaleiros, é força dizer que eles próprios, se no calor das porfias se irritavam com os arranjos de seu  gênio altivo e fogoso, eram os primeiros a fazer justiça aos timbres de seu belo caráter.
João do Rego Barros, homem deveras homem na tempera e na segurança da palavra, era ao mesmo tempo daqueles de quem dizia Sá de Miranda:
De um peito aberto e limpo e fé lavada!
No momento da contrariedade arcava como Leão, e, no medir das armas, muitas vezes saia de si, e irrompia como o raio! Mas, esvaecida a fervura do sangue e apaziguada as paixões que turbilhonavam naquela grande alma, ei-lo tão outro e tão longe do que parecera, quanto vai do Leão ao Cordeiro! Era tão pronto em assomar-se quanto fácil em arrefecer. Não sabia deixar sem perdão qualquer ofensa sofrida, e sem arrependimento qualquer excesso a que seu gênio o arrastava.
Houve uma época em que os sucessos políticos da província nos aproximaram e nos puseram em quase intima convivência. Foi nesses dias de negregada memória, de provocações acerbas, em que os ânimos incendiados no fogo das rivalidades estragavam  em muitas represálias a seiva dos mais nobres instintos, que eu tive ocasião de conhecer de perto os invejáveis predicados de João do Rego Barros. Testemunhei alguns rasgos seus em matéria de beneficência, que incontestavelmente o colocam na gloria dos beneméritos da humanidade.
Ninguém lhe levou a melhoria nas práticas da virtude hospitaleira. Seu engenho era o asilo de quantos, batidos do infortúnio, buscavam os auspícios de seu padroado. Dessa facilidade em acolher desvalidos a malevolência de desafetos seus buscou pretextos  para caluniar suas intenções, inculcando-o como apaniguador de díscolos; mas, no correr dos tempos, logrou convencê-los de que um sentimento mui diverso o guiava, e que jamais o crime encontrou guarida em sua sombra.
Este sistema de proverbial aquiescência a todos que o procuravam; o bom ânimo e singular liberalidade com que abria os cofres de sua benevolência aos seus vizinhos e conterrâneos; o ar de simpática e prazenteira familiaridade que transluzia em sua face para com todos; a pronta e decisiva identificação com os interesses e empenhos de seus amigos; o zelo com que os promovia e sustentava; a probidade austera com que se havia em  todos os seus negócios;  a singeleza expansiva de seus atos e maneiras, o tornaram dentro em pouco o ídolo estimado da população. Seu nome tornou-se o símbolo da popularidade, mas da popularidade espontânea, afetuosa, não mentida e violentada. O povo o amava e o temia. Amava-o porquê tinha nele o patrono de seus infortúnios; temia-o porquê ele em suas afeições, pelo povo, era antes de tudo e mais que tudo homem de justiça, incapaz de transigir com erros e crimes.
Ide a esta hora à Comarca de Cabo! Que vozes sentidas e magoadas não rompem de todos os tugúrios! Por ali andei em dias de janeiro deste ano: testemunhei o vivo interesse em que toda a gente inquiria melhoras  de João do Rego, e a expressão de intima angústia que se lhe divisava no rosto pelo estado indeciso  de seu restabelecimento.
João do Rego nasceu com disposição para viver larga vida; mas seu gênio inquieto e laborioso lhe não permitia resguardo, nem descanso diante da imagem dos deveres, a que o chamava a qualidade de pai de família extremoso e desvelado pela sorte de seus filhos, cujo  futuro procurava abrigar das precisões da indigência. Ele não reconhecia legitimidade na fortuna  que não fosse adquirida com o suor do rosto. Esse lidar incessante, esse arrostar de intempéries em todas as horas do dia e da noite, esse desprezar de sintomas que lhe indicavam uma causa mórbida que cumpria combater, lhe foram manso e manso lacerando os estames da vida. Chegou, porem, um dia em que o cansaço e a fadiga o prostaram enfraquecido.
Forçado então pela dureza das circunstâncias a cuidar de si, entrou em tratamento que, interrompidos a todos os instantes por viagens forçadas, lhe foram completamente ineficazes. Já quase moribundo, procurou nesta cidade, onde esperava que a medicina coletiva operasse o milagre de restituir-lhe o vigor dos músculos, alquebrados pelo longo roçar da enfermidade latente. Tudo, porem, foi baldado. As mais doces esperanças se resolveram em fumo; e a arte se declarou vencida! Ela fez o que pôde; mas ao impossível não se resiste! Os dias do grande lidador se tinham escoados na ampulheta do tempo!  Os médicos lhe aconselharam, como recurso extremo, que procurasse os climas do Ceará, que é hoje o vasto hospital dos inválidos da medicina.
 O ilustre enfermo, conhecendo que sua derradeira hora se achava prestes a soar, e que nenhum abrigo lhe era mais lícito esperar dos esforços humanos, volveu seus olhos ao Supremo Médico das nossas enfermidades espirituais! Com a resignação de homem verdadeiramente cristão, e tão rara nestes dias de materialismo prático, pediu e recebeu os sacramentos de igreja com a mais exemplar edificação! Preenchidos estes santos deveres, João do Rego, mais por condescender com os seus, do que por confiar no resgate dos seus dias, seguiu o destino que lhe indicaram os médicos, em companhia de sua querida esposa símbolo do amor conjugal e um dos seus filhos.
O vapor Igarassú recebeu essa desolada comitiva, e com ela demandou as regiões apetecidas. Até o Rio Grande do Norte o estado do enfermo não apresentou diferenças notáveis, e como que em sua fisionomia luziu por instantes um tênue lampejo de esperança. Eram os derradeiros e pálidos clarões que a luz irradia ao aproximar-se a sua extinção total!
Sua esposa e seu filho desejando pô-lo o mais pronto possível sob a influência e ação dos ares do sertão, resolveram subir pelo Rio Assú, e dali ao interior da província; mas ao chegaram à Ilha  das Cobras, sete léguas acima de Macau, correndo o dia 18 do passado, João do Rego, tendo tomado uma ligeira refeição, exalou o último alento, com a serenidade e placidez de um espírito ungido pelo ósculo do Senhor! A piedosa esposa, o extremoso filho cerralham-lhe as pálpebras e depositaram suas cinzas em um tosco, mas decente jazigo de um pequeno cemitério de Macau, servindo-lhes de eternas sentinelas uma pedra e uma cruz!
Assim acabou um dos mais belos caráteres de Pernambuco, cujo vácuo tarde ou nunca será preenchido no município de sua residência! Na idade de pouco mais de cinquenta e três anos. João do Rego Barros poderia ter cometidos faltas, mas não crimes. Assinalou-se por serviços importantes à sua pátria; ela que o chore, e o seu choro é um justo tributo à sua memória! E eu, que fui quinhoeiro, em sua lidas, em suas glórias e revezes, não poderia eximir-me de pagar-lhe também este último feudo de perenal saudade.
Recife, 4 de março de 1860. P. de C. (Diário de Pernambuco)
Transcrito do Correio Mercantil de 4 de abril do mesmo ano.


Esboço biográfico do Barão de Ipojuca




Esboço biográfico do Barão de Ipojuca
Je me viens pas pleurer sur sa cendre; Il me faut pleurer que sur celle des méchants: car ils ont fait le mal, et peuvent plus le reparer. M. Thomas (Elog. De Marco A.)
A morte de um homem notável por serviços e qualidades assinala a época de um grande infortúnio para a geração que o perde. O finamento de uma existência que avultou nas lides políticas de seu tempo, que adquiriu o direito de cidade pela importância do papel que lhe coube representar na área em que floriu é um fato que não deve passar indiferente aos olhos da sociedade contemporânea.
“No meio de lutas microscópicas, das transações interesseiras, das cóleras artificiais, dos antagonismos pigmeus, das ciladas e ardis, das rivalidades e egoísmos, das argúcias e futilidades”, seria requintar o quadro de nossas misérias sociais o olharmos com indiferença para a lápida que cobre as cinzas de um cidadão benemérito, a quem a pátria deveu sacrifícios, os princípios, dedicação, os amigos, lealdade, a lei os cultos do respeito. Valeria tanto como desdenhar a poética religião dos espíritos, grave e saudosa como a do túmulo, piedosa e grata como a do berço. O elogio dos finados é a apologia da civilização, da moralidade de um povo; é a voz de natureza que se exalta na crença do seu destino mortal.
O sepulcro acaba de engolir o invólucro caduco de um grande espírito, de um lidador infatigável, à um soldado destemido da pátria. O barão de Ipojuca, outrora João do Rego Barros, já não vive; cedeu por fim aos direitos da morte! Lutou; mas nesse lutar, sublime de resignação cristã; provou quanto valia a rigidez de seu ânimo! o combate ardeu em campo desigual; a sua luta era com o destino: devia sucumbir!
Apreciar as feições deste grande caráter; designar-lhe os dotes que o enobreceram, as qualidades que o recomendaram à estima pública, é  empenho nimiamente delicado. Ele viveu até ontem. Se numerosas afeições o circundavam, e diziam nele um tipo completo de virtudes cívicas; do outro lado, ódios pequenos, emulações obscuras, calunias, anônimas, que são o limbo expiador das vocações enérgicas, dos méritos superiores, e incompreensíveis à turba dos maldizentes, não raro procuram desbotar-lhe os matizes que realçavam a teia de suas ações.
Mas, em honra de seus êmulos, entre os quais os houve leais e cavaleiros, é força dizer que eles próprios, se no calor das porfias se irritavam com os arranjos de seu  gênio altivo e fogoso, eram os primeiros a fazer justiça aos timbres de seu belo caráter.
João do Rego Barros, homem deveras homem na tempera e na segurança da palavra, era ao mesmo tempo daqueles de quem dizia Sá de Miranda:
De um peito aberto e limpo e fé lavada!
No momento da contrariedade arcava como Leão, e, no medir das armas, muitas vezes saia de si, e irrompia como o raio! Mas, esvaecida a fervura do sangue e apaziguada as paixões que turbilhonavam naquela grande alma, ei-lo tão outro e tão longe do que parecera, quanto vai do Leão ao Cordeiro! Era tão pronto em assomar-se quanto fácil em arrefecer. Não sabia deixar sem perdão qualquer ofensa sofrida, e sem arrependimento qualquer excesso a que seu gênio o arrastava.
Houve uma época em que os sucessos políticos da província nos aproximaram e nos puseram em quase intima convivência. Foi nesses dias de negregada memória, de provocações acerbas, em que os ânimos incendiados no fogo das rivalidades estragavam  em muitas represálias a seiva dos mais nobres instintos, que eu tive ocasião de conhecer de perto os invejáveis predicados de João do Rego Barros. Testemunhei alguns rasgos seus em matéria de beneficência, que incontestavelmente o colocam na gloria dos beneméritos da humanidade.
Ninguém lhe levou a melhoria nas práticas da virtude hospitaleira. Seu engenho era o asilo de quantos, batidos do infortúnio, buscavam os auspícios de seu padroado. Dessa facilidade em acolher desvalidos a malevolência de desafetos seus buscou pretextos  para caluniar suas intenções, inculcando-o como apaniguador de díscolos; mas, no correr dos tempos, logrou convencê-los de que um sentimento mui diverso o guiava, e que jamais o crime encontrou guarida em sua sombra.
Este sistema de proverbial aquiescência a todos que o procuravam; o bom ânimo e singular liberalidade com que abria os cofres de sua benevolência aos seus vizinhos e conterrâneos; o ar de simpática e prazenteira familiaridade que transluzia em sua face para com todos; a pronta e decisiva identificação com os interesses e empenhos de seus amigos; o zelo com que os promovia e sustentava; a probidade austera com que se havia em  todos os seus negócios;  a singeleza expansiva de seus atos e maneiras, o tornaram dentro em pouco o ídolo estimado da população. Seu nome tornou-se o símbolo da popularidade, mas da popularidade espontânea, afetuosa, não mentida e violentada. O povo o amava e o temia. Amava-o porquê tinha nele o patrono de seus infortúnios; temia-o porquê ele em suas afeições, pelo povo, era antes de tudo e mais que tudo homem de justiça, incapaz de transigir com erros e crimes.
Ide a esta hora à Comarca de Cabo! Que vozes sentidas e magoadas não rompem de todos os tugúrios! Por ali andei em dias de janeiro deste ano: testemunhei o vivo interesse em que toda a gente inquiria melhoras  de João do Rego, e a expressão de intima angústia que se lhe divisava no rosto pelo estado indeciso  de seu restabelecimento.
João do Rego nasceu com disposição para viver larga vida; mas seu gênio inquieto e laborioso lhe não permitia resguardo, nem descanso diante da imagem dos deveres, a que o chamava a qualidade de pai de família extremoso e desvelado pela sorte de seus filhos, cujo  futuro procurava abrigar das precisões da indigência. Ele não reconhecia legitimidade na fortuna  que não fosse adquirida com o suor do rosto. Esse lidar incessante, esse arrostar de intempéries em todas as horas do dia e da noite, esse desprezar de sintomas que lhe indicavam uma causa mórbida que cumpria combater, lhe foram manso e manso lacerando os estames da vida. Chegou, porem, um dia em que o cansaço e a fadiga o prostaram enfraquecido.
Forçado então pela dureza das circunstâncias a cuidar de si, entrou em tratamento que, interrompidos a todos os instantes por viagens forçadas, lhe foram completamente ineficazes. Já quase moribundo, procurou nesta cidade, onde esperava que a medicina coletiva operasse o milagre de restituir-lhe o vigor dos músculos, alquebrados pelo longo roçar da enfermidade latente. Tudo, porem, foi baldado. As mais doces esperanças se resolveram em fumo; e a arte se declarou vencida! Ela fez o que pôde; mas ao impossível não se resiste! Os dias do grande lidador se tinham escoados na ampulheta do tempo!  Os médicos lhe aconselharam, como recurso extremo, que procurasse os climas do Ceará, que é hoje o vasto hospital dos inválidos da medicina.
 O ilustre enfermo, conhecendo que sua derradeira hora se achava prestes a soar, e que nenhum abrigo lhe era mais lícito esperar dos esforços humanos, volveu seus olhos ao Supremo Médico das nossas enfermidades espirituais! Com a resignação de homem verdadeiramente cristão, e tão rara nestes dias de materialismo prático, pediu e recebeu os sacramentos de igreja com a mais exemplar edificação! Preenchidos estes santos deveres, João do Rego, mais por condescender com os seus, do que por confiar no resgate dos seus dias, seguiu o destino que lhe indicaram os médicos, em companhia de sua querida esposa símbolo do amor conjugal e um dos seus filhos.
O vapor Igarassú recebeu essa desolada comitiva, e com ela demandou as regiões apetecidas. Até o Rio Grande do Norte o estado do enfermo não apresentou diferenças notáveis, e como que em sua fisionomia luziu por instantes um tênue lampejo de esperança. Eram os derradeiros e pálidos clarões que a luz irradia ao aproximar-se a sua extinção total!
Sua esposa e seu filho desejando pô-lo o mais pronto possível sob a influência e ação dos ares do sertão, resolveram subir pelo Rio Assú, e dali ao interior da província; mas ao chegaram à Ilha  das Cobras, sete léguas acima de Macau, correndo o dia 18 do passado, João do Rego, tendo tomado uma ligeira refeição, exalou o último alento, com a serenidade e placidez de um espírito ungido pelo ósculo do Senhor! A piedosa esposa, o extremoso filho cerralham-lhe as pálpebras e depositaram suas cinzas em um tosco, mas decente jazigo de um pequeno cemitério de Macau, servindo-lhes de eternas sentinelas uma pedra e uma cruz!
Assim acabou um dos mais belos caráteres de Pernambuco, cujo vácuo tarde ou nunca será preenchido no município de sua residência! Na idade de pouco mais de cinquenta e três anos. João do Rego Barros poderia ter cometidos faltas, mas não crimes. Assinalou-se por serviços importantes à sua pátria; ela que o chore, e o seu choro é um justo tributo à sua memória! E eu, que fui quinhoeiro, em sua lidas, em suas glórias e revezes, não poderia eximir-me de pagar-lhe também este último feudo de perenal saudade.
Recife, 4 de março de 1860. P. de C. (Diário de Pernambuco)
Transcrito do Correio Mercantil de 4 de abril do mesmo ano.


domingo, 21 de junho de 2015

Agostinha Monteiro de Souza


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Meus trisavós, Alexandre Avelino da Costa Martins e Anna Francisca Bezerra, tinham uma filha de nome Agostinha Maria Martins Bezerra, que foi casada com Manoel Antonio da Costa Monteiro, filho de Antonio Caetano Monteiro e Olímpia Maria da Conceição. Deve ter recebido seu nome em homenagem a mãe de Anna Francisca, que se chamava Agostinha Monteiro de Souza. Esta, que foi casada com o tenente-coronel Antonio Francisco Bezerra da Costa, era filha de João Manoel da Costa e Angélica Maria da Conceição. Faleceu nova, com 33 anos, de parto, aos dois de julho de 1827.

Esse nome Agostinha Monteiro de Souza, aparentemente, não tem nada a ver com o nome dos pais. De onde surgiu, pois? Entre seus irmãos, listamos Manoel Vieira da Costa, João Manoel da Costa e Mello, e Vicente Ferreira da Costa e Mello do O’. Como de costume, esse “e Mello” denuncia junção de duas famílias, e, portanto, o Mello deve ter vindo dos pais de Angélica Maria da Conceição. Nos registros, encontrados até agora, um casal que gerou Antonio de Souza Monteiro foi José Antonio de Mello e Mathildes Quitéria Xavier da Cruz. Ela, filha de Francisco Xavier da Cruz e Lourença Dias da Rosa, e prima legítima de Agostinha. Quanto a José Antonio de Mello, na árvore genealógica desenhada do escritor Afonso Bezerra, ele aparece com filho de Thomaz e F. de Tal. Pode ser que o pai de José Antonio fosse um Thomaz Vieira de Mello.

Aqui na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, encontramos uma Agostinha de Souza Monteiro. Vamos aproveitar esse problema, na minha família, que ainda não foi resolvido, para apresentar seu casamento.

Aos sete de janeiro de mil setecentos e cinquenta e dois, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande, feitas as denunciações nesta Matriz e nas partes necessárias, sem haver impedimento, como dos banhos que se acham correntes, consta, de um mandado nas partes do Reverendíssimo Senhor Doutor Visitador, se casaram solenemente em face da Igreja, por palavras de presente, Joam Martins de Sá, filho legítimo de Francisco Pires de Macedo, e de sua mulher Maria do O’, já defuntos, e Agostinha de Souza Monteiro, filha legítima do capitão José Monteyro, e de sua mulher Hylena de Souza, moradores na Ribeira de Mipibú, desta Freguesia, e logo lhes deu as bênçãos conforme os ritos da Santa Madre Igreja, do que mandou o muito Reverendo Senhor Doutor Visitador fazer este assento em que assinou. Marcos Soares de Oliveira. Nesse registro, meio confuso, não aparecem as testemunhas.

Segue o casamento de uma irmã de Agostinha: Aos dezessete de dezembro de mil setecentos e cinquenta e um, na Capela de Nossa Senhora do O’ do Papari, da Ribeira do Mipibu, da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande, feitas as denunciações costumadas, nas Igrejas necessárias, sem haver impedimento algum, como dos banhos, que se acham correntes, consta, de licença do Muito Reverendo Senhor Doutor Visitador Frey Manoel de Jesus Maria, em presença do Reverendo Padre Antonio de Araújo e Souza, capelão da dita capela, e das testemunhas o capitão-mor  Joam de Oliveira e Freitas, casado e morador na dita Ribeira, o sargento-mor Domingos Pinto Zório, casado, e morador na dita Ribeira, pessoas conhecidas, se casaram solenemente em face da Igreja, por palavras de presente, Felizardo Vieira de Mello, filho legítimo de Manoel Vieira, e sua mulher Thereza de Jesus, já defuntos, e Florência Pires de Macedo, filha legitima do capitão Joseph Monteiro, e sua mulher Hylena de Souza, todos naturais desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, e logo lhes deu as bênçãos na forma dos ritos da Santa Madre Igreja, de que mandou o Muito Reverendo Visitador, fazer este assento em que assinou. Marcos Soares de Oliveira, Visitador.

É estranho que uma filha de José Monteiro e Helena de Souza seja Florência Pires de Macedo. Na verdade, o marido de Agostinha era filho de um Pires de Macedo. Nos livros de registros há outra pessoa com o mesmo nome dela, que foi casada com Agostinho de Souza.

Desse casal, encontramos os batismos de dois filhos: Thereza de Jesus que foi batizada aos 15 de junho de 1756, tendo como padrinhos Simão Vieira de Mello, e a viúva Joana da Rocha; e Antonio, batizado aos 29 de setembro, de 1754, tendo como padrinhos o capitão José Monteyro e sua mulher Elena de Souza.

Há alguma relação entre essas duas Agostinhas, ou temos somente meras coincidências?
Árvore Genealógica do escritor Afonso Bezerra





segunda-feira, 8 de junho de 2015

Genealogia Seridoense

Por Fernando Antonio Bezerra 
O Seridó é terra fecunda em dissertações, artigos, publicações de livros, enfim uma significativa e qualitativa produção literária. Dentre vários temas abordados, a genealogia se apresenta com destaque. O Seridó gosta de falar sobre genealogia, o que é muito bom! A genealogia é a ciência do parentesco. É um ramo auxiliar da história que se dedica a estudar a origem e as várias gerações de uma família e seus ramos paralelos.
 
A pesquisa genealógica não é fácil. Exige um esforço pessoal dos interessados no que se refere a frequentar arquivos de cartórios, secretarias paroquiais e de outras instituições. Algumas vezes, infelizmente, os arquivos estão desorganizados e ilegíveis pela ausência de cuidados ou, simplesmente, foram destruídos pela insensibilidade dos que não acalentam respeito à memória. Com a internet, evidentemente, os pesquisadores ganharam nova ferramenta, entretanto, existem muitos dados incompletos ou equivocados que somente as fontes primitivas elucidam. Também, na genealogia, sobretudo no passado, existia a transmissão oral de informações. Os mais velhos, de fato, conheciam e ministravam verdadeiras aulas de genealogia para os mais moços que, por sua vez, reconheciam e respeitavam os parentes, mesmo os mais distantes. Hoje, infelizmente, alguns sequer sabem os nomes de seus avós... Mas, este tema é para outro dia e sob a luz de outras investigações sociais.
 
Mesmo assim, o Seridó é a mais estudada, das regiões potiguares, em relação à sua genealogia. Das obras importantes que tratam do tema, seguramente, “Famílias Seridoenses”, de José Augusto Bezerra de Medeiros, “Homens e Fatos do Seridó Antigo”, de Dom José Adelino Dantas, “Velhas Famílias do Seridó”, de Olavo Medeiros Filho” e “Os Álvares do Seridó e suas ramificações”, de Sinval Costa, são fontes obrigatórias de pesquisas. 
Outros livros também se referem a genealogia, alguns dos quais já publicados por novos escritores que, mesmo em menor número, também se dedicam a pesquisar as origens e ramos do parentesco. Seria um grande risco mencionar um ou outro nome pela possibilidade de uma involuntária omissão, mas, em torno do Instituto Norte-Riograndense de Genealogia, do Encontro anual de Genealogia realizado em Caicó e das pesquisas do Departamento de História do Centro de Ensino Superior do Seridó-UFRN, muitos dos novos pesquisadores e autores serão encontrados.

Em todas as lições, contudo, uma é muito presente: Tomaz de Araújo Pereira é o “Adão do Seridó”. Não foi o primeiro desbravador, mas é considerado um dos primeiros a construir uma família a partir do Seridó. Tomaz de Araújo Pereira (1º.), natural de Viana, Portugal, recebeu a sua primeira data de terra no Brasil em 1734. Tomaz era casado com a brasileira Maria da Conceição Mendonça e, com ela, gerou 08 filhos: Thomaz de Araújo Pereira, João Damasceno Pereira, Cosme Soares Pereira, José de Araújo Pereira, Josepha de Araújo Pereia, Joanna de Araújo Pereira, Helena de Araújo Pereira e Ana de Araújo Pereira. José Augusto diz que “entre as famílias que povoaram o Seridó, e ai se fixaram, a família Araújo, se não é a mais antiga, é das mais antigas, e certamente a que mais proliferou, sendo hoje a mais numerosa dentre quantas se contam radicadas naquele trecho do território norte-rio-grandense. Não é exagero afirmar que raro será o seridoense que não tenha sangue de Araújo.”

Outros muitos ramos são estudados pela genealogia seridoense: Dantas Correia; Azevedo Maia; Batista; Medeiros; Lopes Galvão; Fernandes Pimenta; Bezerra; Pereira Monteiro; Faria; Garcia; Alves dos Santos; Gonçalves Melo; Teixeira; Fontes Rangel; Silva e Souza, dentre outros. Em todos, versões comuns que dignificam os que fizeram a história de superação, resistência e trabalho do Seridó de todos nós!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Manoel de Carvalho Tinoco, Antonia de Freitas e Apodi







João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG
A repetição de nomes, nas várias famílias brasileiras, acarreta equívocos quando da construção de qualquer genealogia. Há um trabalho de meu amigo Marcos Pinto, lá do Apodi, intitulado “Antonio da Rocha Bezerra, um herói esquecido”, onde encontramos algumas contradições, que precisamos corrigir. Segundo ele, Antonio da Rocha Bezerra que foi assassinado, em 1711, por conta da sua relação com o parente Leandro Bezerra Cavalcante, da Guerra dos Mascates, era filho de José da Rocha Bezerra e Dona Antonia de Freitas Nogueira. Diz ainda, que Dona Antonia quando enviuvou de José da Rocha Bezerra, tinha 28 anos em 1680, e casou com Manoel Carvalho Tinoco em 1681. Diz mais, que Antonio da Rocha Bezerra foi casado com Dona Josefa Leite de Oliveira.

Vamos aos fatos. Dona Antonia Freitas, que casou com Manoel Carvalho Tinoco, não pode ser a mesma Antonia de Freitas Nogueira, pois, em 1708, era batizada sua filha Domingas, e, nessa data, teria 55 anos. Outro fato é que o coronel Antonio da Rocha Bezerra, que casou com Josefa de Oliveira Leite, foi padrinho do neto Antonio, filho de Antonio da  Rocha Bezerra e Maria Gomes Freire, no ano de 1760. Vamos conhecer melhor sobre Manoel Carvalho Tinoco e sua esposa.

Entre os assentamentos de praça, encontramos o seguinte: Manoel de Carvalho Tinoco, filho de Domingues Fernandes, natural da cidade de Braga, de idade de trinta e oito anos, cabelo negro, olhos pardos, barba negra, rosto grande, e comprido, e feito de pequena estatura, senta praça de soldado nesta companhia desde 5 de janeiro de 1699, e vence mil oitocentos e sessenta e seis réis de soldo, por mês, na forma do assento do Conselho da Fazenda, lançado no Lº 2º a fl 77 verso e não vencerá mais coisa alguma. Manoel Gonçalves Branco.

Na margem desse assento há mais algumas informações. Primeiro, a data de assento é corrigida para 21 de outubro de 1699, em Assú; outra anotação dá conta que foi condenado por sentença a servir à sua majestade um ano a sua custa como dela consta no Lº 6º a fl. 26 em que está registrado que começa em 23 de fevereiro de 1703, como consta de sua apresentação; começou a servir em a Companhia do capitão Salvador Amorim que era da Guarnição na Fortaleza dos Santos Reis a sua custa em (sem a data).

Entre os registros mais antigos, ainda existentes, encontramos os batismos de vários filhos de Manoel e Antonia, como segue:

Aos 13 de agosto de 1695, batizou o Padre Pedro Fernandes, de minha licença, na capela de São Gonçalo, a Caetano filho de Manoel de Carvalho Tinoco e de sua mulher Antônia de Freitas. Foram padrinhos Nicácio da Costa e Joana Gomes, filhos do Capitão Pedro da Costa (Faleiro). Basílio de Abreu e Andrade.

Aos 29 de setembro de 1697, batizou e pôs os santos óleos, de minha licença, o Padre Francisco Bezerra, em Santo Antônio do Potengi, a inocente Ana, filha de Manoel Carvalho e de sua mulher Antônia de Freitas. Foram padrinhos Manoel Rodrigues Santiago e Florença de Dornellas. Domingos da Rocha de Figueiredo.

Em 19 de fevereiro de 1700 anos, na capela de São Gonçalo do Potengi, com licença do Reverendo Padre Coadjutor desta Matriz, o licenciado Antonio Rodrigues Frazão, batizou o Padre Francisco Bezerra a Manoel, filho de Manoel de Carvalho Tinoco e de sua mulher Antônia de Freitas. Foram padrinhos Manoel da Gama de Araújo e Bernarda de Oliveira, filha da viúva Mariana da Costa. Simão Rodrigues de Sá.

Em 05 de julho de 1702 anos, na capela do Senhor São Gonçalo do Potengi, batizei a Joseph, filho de Manoel Carvalho e de sua mulher Antônia de Freitas. Foram padrinhos Manoel Gonçalves Pimentel e Maria de Freitas, mulher de Antônio Pinto. Simão Rodrigues de Sá.

Em 4 de abril de 1704, na capela do Senhor Santo Antônio do Potengi, com licença minha, batizou o Padre Francisco Bezerra de Góis, a  Maria, filha de Manoel Carvalho e de sua mulher Antônia de Freitas. Foram padrinhos o Comissário Geral Antônio Gomes de Barros e Custódia de Freitas, filha de Maria de Freitas, mulher de Antônio Pinto. Simão Rodrigues de Sá, Vigário.

Em 11 de maio, na Capela do Senhor Santo Antônio do Potengi, do ano de 1706, batizei a Florinda filha de Manoel Carvalho Tinoco e de sua mulher Antônia de Freitas. Foram padrinhos o tenente-coronel Teodósio de Grasciman e sua mulher Paula Barbosa. Simão Rodrigues de Sá.

Em 06 de agosto de 1708 anos, na capela de São Gonçalo do Potengi, de licença minha, batizou o Padre Antonio de Araújo e Souza a Domingas filha de Manoel Carvalho Tinoco e de Antônia de Freitas. Foram padrinhos o Padre Francisco Bezerra e Custódia de Freitas. Simão Rodrigues de Sá.

Essa Maria de Freitas, mulher de Antonio Pinto, parece ser da família, pois, ela ou sua filha, Custódia,  apadrinharam três filhos de Antonia de Freitas.

O registro de casamento de Caetano já apresenta falhas e, por isso, transcrevemos parte dele. Caetano Gomes de Almeida (o sobrenome não contém, aparentemente, nenhuma relação com os dos pais) casou aos nove de agosto de 1734, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, com Apolônia de Almeida Costa, filha legítima de Mathias da Silva Gayo, e de sua mulher Potenciana Carvalho, já defunta, na presença do capitão de Infantaria Francisco Ribeiro Garcia, do sargento-mor Hilário de Castro Rocha, de sua mulher Maria Magdalena e de Izabel de Barros, mulher do coronel Carlos de Azevedo do Vale. Nessa data Manoel Carvalho Tinoco, seu pai,  já era falecido. As denunciações foram feitas na Matriz e na capela da Senhora Santa Ana do Arraial, onde Apolônia era moradora e na de Nossa Senhora dos Remédios de Cajupiranga, onde morava Caetano. Apresentaram banhos corridos no Curato de Assú, e foram dispensados no quarto grau de sanguinidade atingente ao terceiro.

Outro filho de Manoel Tinoco e Antonia de Freitas, que encontramos o casamento, foi Manoel. Transcrevemos seu registro a seguir.

Aos vinte e oito de novembro de mil setecentos e quarenta e dois anos, na Capela do Senhor Santo Antonio do Potegy, desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande do Norte, feitas as denunciações na forma do Sagrado Concilio Tridentino, nesta Matriz e nas mais partes necessárias desta Freguesia, onde os contraentes são naturais e a contraente moradora, e na Freguesia do Assú, onde o contraente é morador, sem se descobrir impedimento, como consta das Certidões dos Banhos, que ficam em meu poder, em presença do Reverendo Padre Manoel Pinheiro Teixeira, de licença minha, e sendo presentes por testemunhas o coronel João Pereira de Veras e Ignácio de Oliveira, pessoas conhecidas, os quais vinham assinados juntamente como o Reverendo Padre Assistente, no assento  que mandou, por eu assim expressar, na licença que dei conforme provimento do Reverendo Senhor Doutor Visitador, se casaram em face da Igreja, solenemente, por palavras, Manoel Carvalho, filho legítimo de Manoel Carvalho Tinoco, já defunto, e de Antonia de Freitas, moradores que foram neste Rio Grande, e por ora moradores na freguesia do Senhor São João Baptista do Assú, com Josefa da Costa de Oliveira, filha legítima de Basílio Lopes Lima e de sua mulher Antonia Leite de Oliveira, moradores nesta Freguesia e dela ambos os contraentes naturais. Manoel Correa Gomes, Vigário.


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Segredos que vem à tona




João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
Tive algumas dificuldades na descoberta de alguns parentescos, em virtude de segredos que eram mantidos por familiares. Grande parte desses segredos vinha do nascimento de filhos naturais, como se isso não fosse comum nas famílias do mundo todo, desde o começo dos tempos.
A primeira dessas dificuldades veio quando tentei descobrir o parentesco do Senador Georgino Avelino com a nossa família. Todo mundo era parente dele, mas não ninguém sabia explicar como. Através de exaustivas pesquisas em documentos fui me aproximando mais e mais da verdade. Ela somente foi confirmada através do meu parente José Nazareno Avelino, morador no Assú. O avó do Senador Georgino, Vicente Maria da Costa Avelino, era filho bastardo (como se dizia naquela época) do meu trisavô Alexandre Avelino da Costa Martins.
Depois, tentei descobrir como era nosso parentesco com os Alves. Papai deixou escrito que tanto os Alves Fernandes como os Rodrigues do Baixo Assú e Macau eram do clã do velho José Martins Ferreira. Foi uma pesquisa difícil, aonde a maior dificuldade vinha da afirmação que os Alves eram de Santana do Matos. Minha irmã, que conversou mais com minha avó, Maria Josefina Martins Ferreira, afirmava que ela era prima legitima de seu Nezinho. Ninguém mais sabia dizer coisa alguma. Cheguei a conversar com membros da família Alves, incluindo aí, descendentes de Manoel Alves Martins Filho, irmão de seu Nezinho, mas qualquer elo para eles estava distante no tempo. Somente, quando encontrei, lá no Fórum de Assú, o inventário de meu tio-bisavô José Alves Martins, tudo se esclareceu repentinamente. Nele estavam nomeados todos os nove filhos dele e da sua esposa Francisca Martins de Oliveira, incluindo aí Manoel Alves Martins, Josefina Emília, Militão Alves Martins e Delfino Alves Martins.
Minha tia Águida Torres Avelino foi casada com Bernardo Pinto de Abreu. Não tinha nenhuma informação sobre ele. Procurei entre os familiares mais detalhes, mas nada. Com a ajuda de meus tios Francisco Avelino e Láercio Avelino, localizei no Rio de Janeiro, Fátima Pantoja e Manoel Pantoja, filhos de Pintinha (Maria Pinto de Abreu) e netos maternos de tia Águida. Havia um ranço com relação a minha tia-avó, pois ela, quando viúva de Bernardo Pinto de Abreu, teve uma filha natural, conhecida na família com Ritinha. Deram-me o telefone de Rosália Pinto de Abreu, outra filha de Bernardo e Águida, que mora em Recife, e, atualmente está com 107 anos. Como na época estava doente, conversei tranquilamente com Irene filha dela que me deu maiores detalhes dessa descendência, que já comentei em artigo anterior.
Um dia quando meu tio Chiquinho esteve aqui em Natal, perguntei por que ele não tinha o nome completo do seu avô Francisco Avelino da Costa Bezerra. Ele me respondeu que isso aconteceu por conta da existência de um filho bastardo desse referido avô. Agora, quando da vinda de Francisco Avelino Neto, por conta da doença de mamãe, resolvi continuar a conversa. Queria saber mais detalhes, iniciando pelo nome desse irmão de meu avô. Chamava-se Luiz Torres. Foi descrito como um homem alto e moreno. Meus tios lembravam-se de um dos filhos dele, de nome Chico Torres. Tia Francisquinha disse que estudou com ele, no primário, lá em Angicos, e tio Laércio disse que ele, Chico Torres, foi casado com a viúva de um tal Clarindo Dantas.
Uma pergunta que meus tios não souberam responder: Se Luiz era filho natural de Francisco Avelino da Costa Bezerra, porque ele tinha o sobrenome da esposa dele, Josefa Maria da Costa Torres?
Nas pesquisas que tenho feito em livros de registros que começam em 1688, filhos naturais estão sempre presentes. A esposa do português Manoel Raposo da Câmara nasceu antes dos pais se casarem. O coronel Francisco Machado de Oliveira Barros gerou um filho natural que foi presidente de nossa Província, Joaquim José do Rego Barros. Minha tetravó Lourença Dias da Rosa nasceu antes de sua mãe, a viúva Francisca Xavier Lopes, casar com meu tetravô Francisco Xavier da Cruz. Não esperou pelo casamento com o primo. Os padres Thomaz Pereira de Araújo, Francisco de Brito Guerra, Antonio de Souza Martins, Pantaleão da Costa Araújo e tantos outros deixaram larga descendência por aqui. Jerônimo de Albuquerque Maranhão, uma das figuras exponenciais da nossa história, era filho natural de Jerônimo de Albuquerque com uma índia.
Batismo de Lourença Dias da Rosa

Missa de 7ª Dia, Dalvanira Avelino Trindade

Avisamos aos amigos e parentes que a missa de 7ª dia de Dalvanira Avelino Trindade, falecida no dia 21 de maio,  será na próxima quarta-feira, dia 27 de maio de 2015, na Igreja Santa Terezinha, às 19 horas.
nascida em 10,03.1918 em Angicos